25.6.04

 

Considerações Sobre «O Apagão Eléctrico» Americano de 14-08-2003

Num período de acentuado pessimismo nacional, como o que actualmente se vive, o recente apagão eléctrico de partes dos EUA e Canadá veio propositadamente demonstrar que, em Portugal, não temos razão para – sistematicamente - nos acabrunharmos com as comparações internacionais, pelo menos no que respeita à prevenção e resposta aos famigerados apagões, já que, no que se refere à iliteracia, os resultados são de facto preocupantes.

Se compararmos, todavia, mesmo que em escala proporcionada, o tempo de reposição de serviço do nosso último grande apagão, ao sul de Rio Maior, de Maio de 2000 : pouco mais de 1 hora, com excepção de alguns – escassos – locais em que chegou às duas horas e picos, com o verificado nos EUA, em que muitas horas depois, nalguns sítios, dias, a normalização dos serviços ainda estava por atingir, a nossa posição relativa não aparece diminuída.

De um modo geral, nos comunicados oficiais americanos, nem aparecem referências precisas ao tempo de reposição de serviço, tal é o escândalo da sua expressão. E, no entanto, aqui entre nós, há três anos, houve chacota geral na nossa Comunicação Social, que aproveitou, mais uma vez, para, de modo leviano, achincalhar a já debilitada auto-estima lusitana, contrapondo-nos irreflectidamente putativos paraísos eléctricos, só existentes na sua delirante imaginação.

À parte os nossos males reais, que nos cumpre quotidianamente combater, não devemos nunca autoflagelar-nos, carpindo a nossa imaginada condição de eternos probrezinhos, fatalmente condenados a fazer pior que os outros em quase tudo. Atentemos no que se passa noutros países, tecnicamente bem mais apetrechados, supostamente, mas onde também ocorrem estas desgraças, de que não se saem melhor.

E não será só da desregulação, porque antes desta já essas calamidades aconteciam, como nos apagões de 1965 e 1977, para evocar só os de maior amplitude. Esperava-se, no entanto, que a introdução de sistemas e automatismos cada vez mais « inteligentes » viesse minorar as consequências destas imprevistas anormalidades e, neste ponto, é que surge a grande decepção.

Nalguns documentos, vindos a público nos EUA, já se fazem apelos à Administração norte-americana para que fomente o interesse dos estudantes pelos cursos de Engenharia de Sistemas de Potência, para que não corram todos para as Telecomunicações, Electrónicas, Informáticas e Computadores, descurando o núcleo central do saber das Empresas de Electricidade, que assenta nas matérias mais clássicas da Electrotecnia : Análise de Redes, Sistemas de Protecção, Controlo de Sistemas de Energia, Estabilidade das Redes, Tecnologia de Materiais, Técnicas de Alta Tensão, etc., etc..., sem neglicenciar, evidentemente, as disciplinas mais modernas.

O que não se deve é inverter as prioridades. Não é preciso ser-se uma Empresa muito grande para que as tarefas típicas da sua actividade principal sejam bem executadas, contanto que haja núcleos de saber especializado, devidamente valorizados, encorajados e progressivamente robustecidos.

A ideia - modernamente prevalecente - de que, nas Empresas, se for preciso ter mais conhecimento nalguma matéria específica, ainda que do seu núcleo principal, se recorre aos especialistas exteriores - outsourcing - das universidades ou das consultoras, a prazo, e se tal se tornar prática comum, conduz ao inexorável empobrecimento das Empresas, ao seu progressivo esvaziamento técnico, ao mero papel de agulheiros/sinaleiros dos fluxos de saber, cada vez com menos capacidade crítica para tomarem as opções mais adequadas.

Outros, chamados consultores ou conselheiros científicos, as tomarão em seu lugar e as apresentarão como neutras ou isentas de interesses espúrios, tirando partido da ingenuidade ou da aparente comodidade dos responsáveis das empresas que requerem esses serviços de inquestionada " expertise ".

Até a dita economia de recursos que esta solução parece conter, porque aparentemente dispensa as empresas de constituir encargos fixos permanentes com a contratação de especialistas, acabará por se tornar ilusória, dado que a sua utilização sistemática, se revelará cada vez mais onerosa, agravando a dependência das Empresas relativamente aos diferentes consultores repetidamente solicitados.

Onde se encontra matéria de interesse particular para nós, é nos comunicados difundidos na Comunicação Social pela National Grid, a propósito do apagão de Londres do fim de Agosto, disponíveis na Internet.

Esse interesse reside na forma como os ingleses lidaram com o caso na Comunicação, demostrando um extremo cuidado informativo, mesmo cirúrgico, na revelação do facto perante o público.

É deveras assinalável a concisão das declarações e a sua preocupação de objectividade, tudo feito com grande economia de meios, num verdadeiro modelo de parcimónia informativa.

É imediatamente perceptível a sua intenção em desfazer ab initio qualquer tipo de analogia com o caso americano. A National Grid aproveitou mesmo o ensejo para enaltecer o esforço bem sucedido dos seus profissionais para limitar a área afectada pelo incidente, não deixando de destacar a «prontidão» da reposição do serviço, relativamente rápida para a potência em jogo, estabelecendo o contraste com o sucedido com o apagão dos EUA.

Debilidades, mais do que evidentes, da rede americana, que, em poucos anos, depois da «surpresa» dos cortes programados de energia eléctrica na Califórnia, volta a dar que falar, pelos mais indesejados motivos.

A simples e velha Electrotecnia das leis de Ohm, Kirchhoof e dos fluxos de potência prevaleceu novamente sobre a rapidez e a precisão dos sistemas informáticos.

Há que retirar as necessárias ilações destes acontecimentos.


António Viriato , Lisboa 15 de Setembro de 2003

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MIBEL : Oportuna Reflexão

Transcrevo abaixo o artigo do Prof. João Santana, nosso velho conhecido das lides académicas do IST, onde foi até meu professor, sendo hoje uma pessoa com alta responsabilidade no Sector Eléctrico Nacional, visto que ocupa um lugar de destaque na Administração da ERSE.

Por conseguinte, trata-se de pessoa conhecedora e autorizada para tomar posição em assuntos da energia eléctrica, gozando à partida de aceitação e credibilidade naturais.

Sabemos como estas condições favoráveis ajudam a afirmar certas ideias ou pontos de vista, que, de outra forma, se revelam muito difíceis de inculcar.

Um dos pontos interessantes deste seu artigo vem relembrar a questão da garantia do fornecimento de energia eléctrica, que, para os mais optimistas, seria caso a priori resolvido, dada a «infinita extensão» das redes, ultimamente degradadas em fios, que se estendem por toda a parte, no caso vertente, desde a «ocidental praia lusitana» até aos confins da Europa, pelo menos, até aos Urais, se a Rússia não estiver interligada com a China.

Pelo meio, no entanto, há uns quantos caturras que insistem em falar de estrangulamentos provocados pela diminuta capacidade de transporte das interligações entre as outrora redes nacionais, dificultando, assim, as transferências de potência disponível de uns sítios, dela abundantes, para outros, dela carecidos ou deficitários.

Por esta terrivelmente simples razão, há muitos anos que nós outros, Portugueses, não podemos beneficiar em pleno da energia barata que a França estaria em condições de fornecer em quantidades generosas.

Já agora, caberia inquirir por que diabo a França dispõe de uma situação tão folgada, em matéria de energia eléctrica, ao ponto de alguns a designarem como verdadeira «vaca leiteira eléctrica» da Europa.

Será que os electrões se entendem melhor no idioma francês, ao contrário do que a maioria das gentes supõe, atribuindo ao inglês a especial vocação de lingua franca, para geral uso planetário, da idade pós-moderna ?

Deixemos a pergunta como exercício reflexivo apropriado a este tema.

Como já aqui neste fórum se tem lido, em diversas contribuições, a tão propalada benfazeja liberalização/desregulação do sector eléctrico começa a causar alguns amargos de boca a muito boa gente, incluindo aqueles que, inicialmente, lhe haviam facultado o benefício da dúvida.

Mas a madre experiência, sempre ela, acaba por apurar a razão e desde, pelo menos, há 4 anos, que os sinais de alarme não param de soar.

Desde a opulenta Califórnia, onde supostamente abunda a nata da Gestão, que exporta saber para todo o Mundo, que com ela faz «benchmarking» ou, se preferirem, em vernáculo, emulação competitiva, até aos normalmente prudentes, frios e racionais nórdicos, passando pelos engenhosos e práticos britânicos e pelos imaginosos e criativos italianos, todos eles já passaram por desagradáveis surpresas, vendo-se subitamente às escuras, por motivos triviais, que estão connosco desde os primórdios das redes.

A propósito destes momentosos casos, acrescento também, a seguir, como sugestão de discussão, um outro apontamento meu suscitado pelo apagão italiano.

Parece que ninguém, a seu tempo, curou dos aspectos físicos, técnicos, científicos, que, teimosamente, resistem aos excessos das fantasias dos Gurus da Gestão, que, frequentemente, vendem gato por lebre, no afã de produzirem brilharetes, em pouco tempo, com grandes resultados financeiros, outras vezes nem isso, ainda que venham a comprometer seriamente o futuro das Empresas em que temporariamente imperam, o qual, desgraçadamente, nessas Empresas, já não se fará com eles.

Entretanto, estas presumidas sumidades, ficam ricas e mudam de ramo.

Lembremo-nos também que o fornecimento de energia eléctrico nunca será um mero negócio, como outro qualquer, visto que ele comporta uma vertente de serviço público manifesto, de suporte social generalizado, sem a qual vertente quase nenhum outro negócio pode sequer sustentar-se.

Contabilizem-se com rigor e avaliem-se na sua completa dimensão os custos directos e indirectos dos apagões e dos cortes eléctricos forçados e veja-se se compensa alguma economia criada em momentos de inconsiderada confiança.

Dê-se o devido relevo ao factor segurança na condução e exploração das redes, planeie-se com recursos próprios, de preferência, ou com alheios, sob o nosso controlo, o crescimento do parque de centrais, de modo a não se cair em situações de défice de geração perigoso, como aconteceu com a Califórnia e com a Itália.

Apoie-se e reforce-se o conhecimento técnico existente no domínio da energia, das correntes fortes e da análise de redes em geral, se não se quiser amanhã passar por situações lamentáveis de desorganização e retrocesso social.

Atente-se nos casos dos apagões americano e londrino de Agosto passado, de onde não estão ausentes graves deficiências técnicas. Não se empole o papel da gestão, em detrimento do da engenharia, porque é no equilíbrio dos dois saberes que reside o progresso.

Por último, pondere-se bem que, sem engenharia, não há sequer onde exercer a gestão.

Para além das considerações gerais aqui exaradas, convém meditar, enquanto é tempo, nas verdadeiras vantagens que tiraremos de um Mercado Ibérico de Electricidade, sobretudo quando nele nos querem fazer entrar a toda a brida, como se ali nos esperasse o Eldorado da Energia.

Não é nada prudente trocar o certo pelo incerto, num ambiente de euforia não pensante.

Os cenários que se desenham com franco optimismo são de grande complexidade, neles existindo demasiadas variáveis que rapidamente deixaremos de controlar e de onde pode não haver regresso saudável.

Finalmente, acresce que, com os nossos amigos espanhóis, todo o cuidado é pouco.

Falam-nos à consciência vários séculos de história, com algum passivo averbado, como também se lembrou aqui a propósito do contencioso de Olivença, cujo desrespeito pela verdade e pela justiça, da parte dos nossos putativos irmãos, constitui um autêntico espinho cravado na consciência histórica de qualquer português que não esqueça o seu património.


Lisboa, 29 de Outubro de 2003

António Viriato


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APAGÕES ELÉCTRICOS
AV – 01-10-2003

O recente apagão italiano, depois da surpresa do americano, do londrino e do nórdico, no espaço de um mês, começa a inquietar-nos e a levantar-nos muitas reservas ao bem fundado das profundas reestruturações ocorridas no sector da energia na última década.

Como é possível que na madrugada de Domingo, em pleno período de vazio do diagrama de cargas, fique todo um país às escuras, mais de 50 milhões de pessoas sem energia eléctrica, por causa de um disparo de uma linha de interligação da Itália com a Suíça, seguida da perda de outra, vinte minutos depois.

Já o apagão americano nos deixara boquiabertos e também começou com um simples disparo de uma linha de interligação entre redes de estados contíguos, coisas quase dos primórdios das redes : uma linha que dispara, outra que não suporta a sobrecarga e dispara também, e depois outra, e outra, até ao colapso total.

Na Itália foi assim outra vez : um disparo de uma linha junto aos Alpes arrasta consigo uma rede inteira de um país grandemente industrializado da UE.

Toda a bota italiana até à Sicília fica sem energia eléctrica.

Sabe-se agora que existe um défice de produção em Itália, que tem de importar, em permanência, 6000 MW, cerca de 17% da sua capacidade instalada (em condições operacionais) de um parque envelhecido de centrais, num país que, em 1987, decidiu ufanamente prescindir da opção nuclear, mas que não logrou construir centrais hídricas, térmicas clássicas ou outras a um ritmo adequado, compatível com o contínuo crescimento dos consumos, enredado em discussões infindas com os grupos ecologistas e em estudos intermináveis de impacte ambiental.

Vê-se, hoje já, que as generalizadas reestruturações empreendidas no sector eléctrico, ditadas pela pressão da liberalização dos mercados de energia, não trouxeram mais segurança na condução das redes. Ver-se-á também se trarão as prometidas baixas de preços do kWh.



Sem aprofundar o assunto, pode-se desde já formular as seguintes questões :

· A saída de 3000 MW, que era o valor da importação das duas linhas da Suíça, é suficiente para produzir o colapso total da rede de um país desenvolvido da UE ?
· Qual o critério dominante na escolha do esquema de exploração da rede efectuada pelo Gestor do Sistema ?
· Onde está a segurança dessa configuração de rede ?
· Onde está a reserva permanente de produção autóctone ?
· Por que nunca funcionam os diversos escalões dos planos de deslastre de cargas, regularmente aprovados pelos Despachos Nacionais ?
· Por que não funcionam as regulações de frequência e de tensão das centrais do sistema electroprodutor, em combinação com os sistemas de deslastre, para adaptarem a produção existente à nova situação de carga ?
· E o tempo de reposição de serviço, apesar de todos os automatismos, computadores e de toda a informática de apoio, por que é sempre tão elevado ?
· Por que não actuam em coordenação os vários centros de condução e de despacho regionais e nacional para abreviar a normalização do serviço ?
· Se actuam, por que são tão demorados em repor o serviço ?
· Onde estão os estudos, análises, simulações de contingências, etc., que deveriam habilitar os diversos agentes a lidar com maior eficácia com as situações de emergência ?
· Quem avalia, valoriza o factor de segurança na condução/exploração das redes ?
· Como se contabilizam os danos económicos, sociais e outros dos apagões ?
· Que diz o Regulador italiano ? Há excesso ou falta de liberalização no sector ?
· Que confiança nos merecem as «redes infinitas» ?
· E de que vale o excesso de produção de EE num país, sem capacidade de transporte suficiente nas linhas de interligação com outros onde ela escasseia ?
· E quando nem uma coisa nem outra existem ?
· Por que é a França hoje a «vaca leiteira eléctrica» da Europa ?
· Por que compra a EDF empresas de Electricidade na Europa e não abre o seu capital a grupos económicos estrangeiros ?
· Não estará ela subordinada à mesma Directiva da UE que os restantes parceiros ?
· Muitas mais reflexões se podem tecer à roda do tema dos recentes apagões ?
· Quem quererá retirar as devidas ilações ?

Aqui se deixa, então, um conjunto genérico de questões, longe de se pretender exaustivo, à reflexão de todos quantos se interessam por temas de energia e redes eléctricas, na esperança de que se aprenda alguma coisa com os erros alheios.


António Viriato - Lisboa, 1 de Outubro de 2003


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A Garantia de Abastecimento

João Santana – DN – 25.10.2003 (Transcrito por A.V.)

As restrições ao consumo de energia eléctrica (apagões) na Suécia e Dinamarca, na costa leste dos Estados Unidos e, mais recentemente, na Itália, tiveram uma grande repercussão em Espanha. Não é por acaso que tal sucede. Na verdade, neste Verão, a onda de calor fez disparar o consumo de energia eléctrica e o sistema operou nos seus limites, tendo mesmo ocorrido um apagão nas Ilhas Baleares.

No Inverno, de 17 de Dezembro de 2001 a Janeiro de 2002, ainda na memória dos espanhóis, aconteceu um problema grave no abastecimento de energia eléctrica em Espanha, devido a insuficiência de produção. O motivo que me leva a escrever, hoje, este artigo, deve-se a uma notícia publicada pelo diário espanhol La Razón, de 7/10/2003. Este jornal afirmava: «O secretário de Estado de Energia José Folgado reuniu-se recentemente com os conselheiros delegados das eléctricas espanholas para analisar a situação do sistema antes da chegada do frio.

O sector eléctrico acredita que existe o risco de corte de fornecimento com a chegada do frio, na situação de escassez de chuvas. Segundo fontes do sector, o operador do sistema, Rede Eléctrica de Espanha, revê os planos de emergência em colaboração com a restante indústria eléctrica. Assim, numa situação de crise a REE efectuará cortes parciais no fornecimento, de modo a evitar o colapso total do sistema, como aconteceu em Itália».

Sem dúvida, o descrito visa uma acção meritória: assegurar a estabilidade do sistema eléctrico espanhol. No entanto, é interessante salientar o seguinte: o sistema eléctrico espanhol que se reivindica, através do marketing, como um dos mais liberais da Europa, não prescinde do proteccionismo do Governo ou este não prescinde do intervencionismo sobre o sector. Enfim, talvez uma cumplicidade entre Governo e empresas !

Uma situação de crise energética em Espanha tem efeitos em Portugal. E este aspecto é agora ainda mais manifesto que no passado.

Com o desenvolvimento do Sistema Eléctrico Não Vinculado, muitos clientes empresariais, sobretudo de Média Tensão, saíram, ao longo de 2002, do Sistema Eléctrico Público e são, hoje, abastecidos, quase na sua globalidade, com energia importada de Espanha.

Uma parcela já significativa do consumo nacional! Numa situação de crise de abastecimento em Espanha, que acontece às suas exportações de energia eléctrica ?

A Ley Del Sector Eléctrico, aprovada pelas Cortes Espanholas em 1997, é explícita no n.º 3 do Artigo 13. «Las ventas de energia a otros países comunitarios podrán ser realizadas por los productores y comercializadores nacionales, previa comunicación al operador del sistema y autorización del Ministério de Industria y Energia, que podrá denergarla, exclusivamente, quando implique un riesgo cierto para el suministro nacional.»

Assim, numa situação de crise de abastecimento em Espanha é provável que sejam inibidas as exportações de Espanha para Portugal, como já aconteceu no passado. Com tal cenário, quem garante o abastecimento aos clientes não-vinculados portugueses ?

Numa situação de crise de produção de energia eléctrica em Portugal, será possível cortar a alimentação de determinados clientes ?

A acção de cortar pontualmente a alimentação de determinados clientes não se afigura possível na prática. E, assim, o bem público electricidade estará disponível, enquanto for possível, a todos os clientes, quer tenham pago ou não a garantia de abastecimento (ou de potência), o que não é razoável.

A solução para este problema exige que os fornecedores de electricidade assumam a responsabilidade da venda de energia eléctrica com garantia de abastecimento. Um fornecedor de electricidade não pode ser uma empresa de vão de escada, deve ter produção própria ou contratada, de modo a satisfazer os seus compromissos.

Uma nota final. Em Portugal, a gestão técnica do sistema eléctrico está sob a responsabilidade da Rede Eléctrica Nacional (REN). Esta empresa não pode, naturalmente, garantir o fornecimento com probabilidade de 100%.

No entanto, ela tem consciência das questões formuladas anteriormente e tem conduzido o sistema de modo que não haja apagões por insuficiência na produção, quer através de uma gestão cuidadosa dos recursos hídricos, quer procurando que todo o parque térmico esteja disponível no Inverno.

Mas volto a repetir, esta segurança do abastecimento é suportada só por uma parte do consumidores, clientes do Sistema Eléctrico Público, e inibe a própria REN de ganhos comerciais que obteria se tivesse uma postura mais comercial e, naturalmente, menos previdente! A segurança no fornecimento da electricidade, em Portugal, não é neste momento um problema grave, no entanto, há questões que urge resolver.

João Santana

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